os moradores do município, gera também para
pessoas originadas de outras regiões do Brasil,
contribuindo para a desconcentração de algumas
áreas saturadas demográfica e industrialmente do
país. A participação da Região Nordeste, onde está
inserido o Extremo Sul da Bahia, começa a partir
da industrialização nacional, efetivamente, no
começo da década de 1970. Segundo Diniz (1993,
p.51) “Embora o Estado de Pernambuco tenha
perdido participação, praticamente todos os demais
estados ganharam. No entanto, [foi o Estado da
Bahia] que aumentou sua participação de 1,5 para
4% da produção industrial do Brasil”. Mesmo com
todos os atrasos de investimentos, o Nordeste
é a segunda região a aumentar sua atividade
industrial quando da política de descentralização
de indústrias. E, estas fábricas de transformação
da celulose e papel são, no Extremo Sul Baiano, a
continuidade deste processo.
De acordo com um estudo feito pela
Fundação Getúlio Vargas (FGV) publicado em
2007, a Veracel Celulose S/A, uma das maiores
produtoras de eucalipto no Extremo Sul da Bahia,
teve uma grande participação na geração de
emprego e renda do país. Para fazer esta afirmação
a FGV apresentou os seguintes números: “dos
741 empregos diretos da Veracel, suas atividades
sustentaram mais 29,6 mil postos de trabalho nos
demais setores de atividade da economia brasileira,
totalizando 30,4 mil empregos no ano de 2006”
(FGV, 2007, p. 22).
Para se fazer uma análise sobre a
geração de empregos proporcionados diretamente
pelas empresas produtoras e transformadoras
do eucalipto será preciso dividir sua ação em
duas fases: A primeira, quando da construção
da parte física e infraestrutura da empresa, se
tem a formação de um grande canteiro de obras
com a maioria dos empregos direcionados para
construção civil. Na segunda fase, em que o
parque industrial está construído, há uma retração
no número de empregos, e a fábrica passa a
absorver trabalhadores nas atividades que exigem
um maior nível de escolaridade e conhecimento
técnico, tendo em vista que “a industrialização
moderna necessita de um capital humano que
possua ao menos habilidades comunicativas para
efetuar a concepção, organização, coordenação e
execução de tarefas” (HANSEN, 2003, p. 98). É
um processo que os demógrafos entendem como
desindustrializar um lugar, isto é, continua se
produzindo, no entanto, com menos pessoas, mas,
em contrapartida, com maior grau de qualificação.
A exigência de pessoal mais qualificado
para dar continuidade ao funcionamento dos
diversos setores da produção faz com que haja
a dispensa, senão total, mas de grande parte,
daqueles trabalhadores que estavam na primeira
fase da implantação dessas empresas. Para ocupar
os postos de trabalho que necessitam de pessoas
com formação técnica e superior, geralmente, as
empresas importam pessoas de outras regiões,
pois, nos lugares que recebem este tipo de
empreendimento não há trabalhadores capacitados
que possam desempenhar as atividades que
dependam de um nível de estudo mais elevado. De
acordo com Singer, H. (1979, p.210), o modelo de
atuação das multinacionais “tende a empregar uma
tecnologia de capital intensivo sendo, portanto,
improvável que contribua para a redução do
desemprego”, podendo criar uma insatisfação nas
sociedades locais.
O resultado desta dilatação e
contração na oferta de empregos temporários em
grandes projetos, onde o Brasil tem uma larga
experiência através da construção de grandes
usinas hidrelétricas, garimpos, e construções de
capitais como Brasília e Palmas (TO), geralmente,
é o aparecimento de grandes bolsões de misérias.
Em grande medida isso se deve aos discursos
dos políticos e dos empresários que vendem
uma ideia de que estes grandes projetos trarão
o desenvolvimento para a região. Entretanto, é
importante se ter a clareza de que as empresas não
podem e não devem ser os únicos caminhos que
levem a sustentabilidade ou salvação econômica
de um lugar ou de uma região. Apesar de alguns
setores da política, da economia e da administração
acreditarem que isso seja possível, e por isso,
vendem esta retórica como uma estratégia eficaz
para conseguirem sensibilizar a sociedade local e
regional. Santos (2000, p. 67) analisa esta situação
da seguinte forma:
as empresas privadas assumiram um trabalho
de assistência social antes deferido ao poder
público. Caber-lhe-ia, desse modo escolher